Surdez Demissional

OBJETIVO – muitas vezes o médico do trabalho é pego de surpresa na hora da demissão quando se defronta com agravos de perda auditiva no exame audiométrico demissional e não sabe qual a conduta a ser feita nesta situação.

CAUSAS DO AGRAVO – são três as causas deste tipo de agravo:

1º Limitação do método – A audiometria ocupacional por ser realizada apenas em via área pode não representar a condição audiológica do colaborador, uma vez que uma orelha pode ajudar a outra na tarefa de ouvir e entender os sons. Assim uma pessoa com perda total da audição em uma orelha e audição normal na outra, pode neste exame ter a sensação que está ouvindo bem nas duas orelhas. Recomendamos por este motivo que sempre seja feita audiometria tonal (completa) na admissão, no retorno de acidente de trabalho e na demissão. Na audiometria tonal por ser mensurada a via óssea e como está não auxilia a outra orelha quando o examinador se depara com uma via óssea abaixo da via aérea (situação impossível de ocorrer) isto alerta para a necessidade de uso de mascaramento a fim de medir uma orelha sem ajuda a da outra. Logo se as audiometrias anteriores forem ocupacionais e a demissional pode ocorrer agravo que não foi captado nos exames anteriores. A troca de examinadores (diferentes profissionais e equipamentos) pode também influenciar neste fato.

2º Estresse do colaborador – Muitas pessoas ao se verem demitidas de seu trabalho, vislumbrando um grave problema familiar devido a um mercado de trabalho recessivo entram em pânico e não conseguem se concentrar para realizar o exame.

3º Colaborador não cooperante – Muitos colaboradores entendendo que sua demissão não foi bem conduzida quer, pela falta de preparação para mesma ou pela de explicação de motivos que levaram a esta e se sentindo muito revoltados ou injustiçados não cooperam na hora de realizar o exame audiométrico demissional. Acreditam que esta atitude irritará ao contratante do mesmo modo que se irritou com sua conduta. Algumas vezes podem até tentar por este meio um ganho secundário com demandas trabalhistas.

CONDUTA – independentemente da causa do agravo à conduta não mudará. A conduta é a prevista pela Portaria 19 do Ministério do Trabalho que indica em agravamento ou desencadeamento de perda auditiva durante o pacto laboral deverá ser realizada AVALIAÇÃO OTORRINOLARINGOLÓGICA OCUPACIONAL com vistas a determinar qual é causa deste agravo. De nada adiantará uma avaliação que apenas coloque o tipo de perda auditiva, o imprescindível será a busca da causa, ou seja, o diagnóstico diferencial.

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